domingo, 12 de outubro de 2014 • por Thuany Santos
Há 2 meses chegamos aqui na Itália e tudo tem sido lindo e enriquecedor. Mas nem todo mundo sabe que nossa chegada na Europa foi extremamente desgastante, estressante e cansativa. O post abaixo foi escrito no aeroporto, quando tudo aconteceu. 



Nesse exato momento são 06:00 no horário de Lisboa do dia 14/08/2014 e estamos sentados na sala de espera do aeroporto. Deveríamos estar em Roma mas não estarmos lá é só uma parte do que foram as últimas horas desde que saímos da Cidade Maravilhosa dia 12, às 23:40. Para nossos pais, amigos e conhecidos que estavam com medo de nossa passagem pelo Rio, a gente já deixa antecipadamente o recado:(vai ter um post mega ilustrado com fotos e fatos) O Rio é lindo, não fomos assaltados e nem vimos nadaparecido e até o momento, desde nossa saída de Curitiba dia 10, tudo foi melhor na cidade carioca do que aqui no exterior, até mesmo o atendimento das empresas aéreas.

Estávamos empolgados para viajar com a Tap. Atendimento incrível, aeronave grande, tablet com diversas atividades, comida e vinho. E o voo foi legal. Saiu com uma hora de atraso do Rio mas com a promessa de chegar no mesmo horário em Lisboa, nossa primeira escala. "Ok, se perdermos o voo, a gente pega o próximo e quem sabe até chega em Roma junto com nossa amiga". 

Chegando em Lisboa começou um corre corre. Um funcionário muito gentil foi passando a gente na frente das filas, já que faltava cerca de meia hora para nosso voo decolar. Imigração, ok. Raio-x, ok. Vamos vamos, falta um minuto.... e pff. As portas se fecharam e perdemos. O moço se desculpou, fez o máximo que pode. E nos levou ao balcão de atendimento da TAP, onde remarcaríamos nossas passagens. 

Ali havia um grande tumulto. Praticamente todas as pessoas que estavam no nosso avião tinham passado pelo mesmo que nós,e aparentemente a companhia não tinha voos para o mesmo dia. Depois de muita espera (uma hora na fila) conseguimos falar com uma atendende. Infelizmente não haviam mais lugares nos voos daquele dia, e poderíamos pegar o primeiro da manhã seguinte. Eles deixaram claro que nos pagariam as refeições e ficaríamos num hotel em Lisboa. "Massa! Talvez a gente até consiga dar umas voltinhas pela cidade!" 

-Ok, esperem apenas a chegada do ônibus que levará vocês até o Hotel. Passaremos pegar as malas e deixamos vocês no hotel com tudo pago. 

Aceitamos. Pedimos apenas uma declaração para provar pra Capes que não ficamos turistando em Lisboa (uma das regras para recebermos a passagem é que não façamos escala com mais de 24 horas em outro país) e resolvemos não criar caso. Ficar insistindo por um voo no mesmo dia não adiantaria nada, (mesmo sabendo que os passageiros da classe executiva tinham conseguido esse feito) vimos uma mãe com três filhos pequenos sozinha e da classe econômica chorar no balcão e com ela nada aconteceu. 

Veio a atendente, pediu que a acompanhássemos. Descemos até as esteiras e ai começou a saga. 

-"Vocês preferem ficar aqui duas horas ou mais e esperar as malas ou levamos vocês para o Hotel e amanhã de manhã vocês procuram as malas aqui?"

Como assim? Então tínhamos que escolher entre ir para o Hotel sem as malas e no dia seguinte procurá-las no pouco tempo antes do embarque ou ficar ali até que elas "aparecessem"? A moça já tinha deixado claro que nossas malas não haviam embarcado para Roma. Ou seja, elas ficariam em algum lugar no aeroporto até que resgatássemos. Acontece que o aeroporto....é imenso. A gente não poderia contar que no dia seguinte elas estariam num cantinho guardadas pra gente e que as encontraríamos antes do voo. Então na verdade nossas escolhas eram: Ir para o hotel e entender que nossas malas seriam extraviadas - a chance disso acontecer era tão grande que não valia a pena acreditar no contrário -, ou ficar no aeroporto esperando as malas e só depois ir para o hotel. 

Já eram 16:30, estávamos exaustos, com fome - só havíamos tomado café da manhã no avião por volta das 07:00 da manhã - porém o medo de ficar sem nossas bagagens foi maior. Resolvemos esperá-las no aeroporto. Querendo ou não tudo que considerávamos importante por um ano - de vestir,de ler, de usar - estava nessas malas. Apesar do seguro viagem, ter nossos pertences extraviados não seria nada legal.

"-Moça, nós optamos por ficar aqui, esperando nossas malas. Pode por favor providenciar algo para comermos? Estamos só com o café da manhã..." 
"Ok, vou buscar um voucher, quantos são? Um, dois, três...quinze. Ok,já volto."

17:00. 18:00. 19:00. 20:00. 21:00. Ninguém da TAP apareceu. Nem com voucher, nem com explicação. E nem com nossas malas. Para essa área de esteiras, onde fomos levados para esperar nossas bagagens,não era permitido o retorno ao saguão de desembarque, onde havia o guichê da TAP. Ou seja, estávamos literalmente abandonados lá embaixo. Presos, porque se saíssemos do aeroporto, também não poderiamos voltar para procurar a bagagem.

Um pouco depois das 21h, nossas malas enfim apareceram. Quase choramos de emoção e alívio. Ainda faltavam as malas de duas pessoas do nosso grupo e resolvemos esperar. Mas elas nunca chegaram. Foi aí que alguém que saiu dessa área do aeroporto e conseguiu falar com uma atendende da TAP que disse desconhecer totalmente nosso caso. (Então realmente fomos abandonados). Quase 22 horas a atendente apareceu. E sabia menos que qualquer outra pessoa andando no aeroporto. Ela disse que não sabia o que fazer e que tentaria verificar para qual hotel deveríamos ir. Nos colocou num ônibus e avisou que iríamos para um hotel em Fátima - que não é um bairro nem uma vila, mas uma cidade a 126 km de Lisboa, pois era o único hotel com vagas aquele horário. Uma hora e meia de viagem, dois pedágios, chegamos até a tal cidade. Para nossa surpresa - ou não, pois eu já tinha cogitado essa possibilidade - o hotel não estava sabendo da nossa chegada, e não havia preparado nada para comermos. Sim, não sei se lembram, mas a ÚNICA refeição que tivemos foi dentro do avião,o café da manhã. E já era meia noite.

O recepcionista informou que a cozinha já estava fechando, e poderíamos pedir algo no bar, mas teríamos que pagar e depois pedir reembolso da TAP. Fizemos isso porque a fome era imensa. O pessoal do hotel nos recebeu muito bem mas informaram que nosso ônibus iria nos buscar as 3:30 da manhã. SIM, É ISSO MESMO QUE PENSAMOS. "PERAÍ, A TAP MANDOU A GENTE PRA FICAR TRÊS HORAS AQUI??!"

Os funcionários do hotel foram extremamente gentis conosco e nos receberam muito bem. Teve um senhor, Gonçalves, de sotaque português extremamente forte, que com seu bom humor conseguiu deixar o clima mais descontraído. 

Tomamos café as 3 da manhã e voltamos para cá, para o Aeroporto de Lisboa. Fomos em busca do nosso reembolso e descobrimos que não existe ninguém, NENHUM FUNCIONÁRIO DA TAP
que possa nos atender em relação a reembolso e que devemos fazer nossa solicitação pelo FALE CONOSCO da empresa. 

Estamos rezando para que mais nada aconteça porque estamos totalmente sem forças. O que mais nos indignou foi o descaso, despreparo e falta de tato com os clientes. A todo momento que precisamos conversar com algum atendente aqui em Portugal a sensação que dava é que a TAP estava fazendo um favor pra gente. Quando na verdade, nós pagamos por isso, certo? Era nosso direito alimentação e hospedagem já que o atraso no voo foi culpa deles. Já que eles não conseguiram nos encaixar em nenhum voo. 

Essa foi nossa primeira e possivelmente última experiência com a TAP. Sabemos de pessoas que já viajaram pela empresa e foi tranquilo, assim como sabemos que outras pessoas viajaram por outras empresas aéreas e tiveram problemas semelhantes. Só não poderíamos deixar de compartilhar nossa indignação, não com o imprevisto, mas sim com o tratamento que nos deram diante dele. 









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