segunda-feira, 1 de dezembro de 2014 • por Pés Viajantes

Em geral, as primeiras coisas que eu ouvi de amigos e familiares quando contei que moraria com minha namorada durante um ano na Itália giraram em torno de “Iiiih, esse aí vai casar!”, ou então “Iiiiiihh, pode contar que esse aí não volta pra casa, hahaha”. É claro que eu entrava na brincadeira e dava risada junto, porque isso de maneira alguma me incomodava. Aliás, pra um cara que passou todos os seus vinte e dois anos vivendo na zona-de-conforto-e-segurança-com-comida-e-roupa-lavada-da-casa-dos-pais, a ideia de sair de casa para viver com a namorada tinha sua graça até para mim, pois sou um tanto inseguro. Portanto, a novidade realmente era engraçada, levando em consideração o meu sujeito.

O fato é que esse tipo de coisa por alguns momentos – tenho que admitir – me fez pensar que isso estaria me levando para uma “prisão”: a “prisão do casamento”! De fato, a experiência que eu estava prestes a iniciar seria muito próxima de um casamento, talvez até mais intensa, pois nesse ano passaríamos muito mais tempo juntos do que marido e mulher que saem para trabalhar e só se veem no final do dia. Mas eu nunca me preocupei com rótulos, e na verdade eu nunca me preocupo muito com nada. Geralmente não imagino muito como serão as coisas no futuro. No meu caso, isso não quer dizer que sou inconsequente. Pelo contrário, eu sempre penso – até demais – antes de tomar uma decisão. Quando digo que não me preocupo com nada significa que, muitas vezes, eu prefiro simplesmente experimentar ao invés de imaginar como será. E eu acho que esse “não planejar/imaginar a vida” é uma das coisas em mim que mais incomoda a Thu.

No fim das contas, eu passei a enxergar essa experiência como um “teste de casamento”, e não como uma condenação de um ano à prisão dos maridos. Eu já passava muito tempo com a Thu antes de morar com ela, e nunca me senti aprisionado. Passar a maior parte do meu dia com a minha namorada era uma escolha minha e dela, e nós sempre respeitamos a vontade do outro. Morar junto com ela no exterior tem sido algo maravilhoso, e até um tanto diferente. Eu penso que – e a Thu também compartilha desse pensamento – os casais constroem uma rotina, e que toda rotina tem sua beleza. Por isso, para mim, rotina não é sinônimo de chatice. Viver com a minha namorada aqui na Itália tem sido a construção de uma nova e linda rotina, cheia de novos desafios, expectativas, hábitos, gostos e deveres.

Viver com ela tem sido maravilhoso, porque nós dois estamos aprendendo a cozinhar, apesar dela sempre ser a melhor nesse quesito. Sério, eu tenho uma namorada cozinheira, e isso é bom demais! Nós também estamos aprendendo a dividir as tarefas de casa, mas quando o assunto é limpeza do apartamento, eu era um completo inexperiente enquanto ela sempre soube como se faz. Está sendo muito legal também aprender a administrar os nossos gastos e, nesse ponto, eu acho que estamos aprendendo um com o outro. Eu sempre fui o “pão duro” e ela mais “gastadeira”. Morando juntos isso equilibrou um pouco, pois ela me ensinou a realmente comprar quando estou precisando de algo, enquanto eu a ensinei a comprar quando ela realmente precisa de algo (ainda estamos trabalhando nisso). Morar junto tem sido maravilhoso, porque eu tenho minha namorada do meu lado sempre que eu quero fazer uma piada ruim, mostrar algo que li, assistir uma série ou um filme, dividir um pensamento, estudar, contar sobre meus medos, falar sobre a saudade, pra cuidar de mim caso fique doente, pra me dar carinho. Assim como é maravilhosa a sensação de estar sempre presente pra ela, quando ela precisar dividir ou compartilhar tudo isso comigo também.


Como esperado, estamos passando muito tempo juntos, quase o tempo todo. Continua sendo uma escolha nossa, isso não mudou com o fato de morarmos na mesma casa. Aliás, a ideia de vir para a Itália e morar em cidades ou casas diferentes – mesmo que na mesma cidade – sempre foram opções. Se eu ou ela acharmos que a convivência está “demais”, a gente conversa, dá um “chega pra lá”, sai para dar uma volta e depois tá tudo certo! Hahaha

Isso é o mais interessante de tudo nessa experiência. A convivência contínua e a construção de uma nova rotina não alteraram em nada a essência da relação. A gente continua resolvendo tudo com respeito, na base da conversa, com alguns puxões de orelha e praticamente sem brigas. No máximo acontece aquela briguinha que alguns minutos depois faz a gente cair na gargalhada com a cara de bravo do outro. Enfim, morar junto pode ser namoro, noivado, casamento, prisão, rotina, teste, experiência... chame como quiser, pra mim não importa o rótulo. O que importa é que está dando muito certo, e que escolhi a pessoa mais maravilhosa do mundo para viver comigo. Não só esse ano, como em todos os outros. Morar com ela é e será maravilhoso!

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